Como registrar todos os jogos de futebol a que você foi (e por que começar agora)
Você esquece mais do que imagina
Pergunte a quem vai ao estádio com frequência quantos jogos já viu e o primeiro palpite quase sempre erra. Jogos em casa, viagens para ver o time fora, uma ou outra excursão europeia e amistosos de pré-temporada se misturam; ao reconstruir o histórico, muita gente descobre dezenas de partidas que a memória sozinha tinha deixado para trás.
Essa distância entre o que você acha que lembra e o que de fato aconteceu é quase universal entre os torcedores. Os jogos grandes ficam: a vitória no clássico, a final de copa, a primeira vez que você viu seu time jogar no exterior. Mas aquela terça-feira chuvosa em Stamford Bridge? O 0 a 0 num estádio que já foi demolido? O amistoso a que você foi com seu pai aos doze anos? Isso tudo se perde se você não anotar.
Quanto mais você demora para começar a registrar, mais jogos se perdem. Não porque não importaram na época, mas porque a memória humana é péssima para guardar datas, placares e saber qual das quinze viagens ao mesmo estádio foi qual.
Três formas de registrar: caderno, planilha ou app
Não existe um único jeito certo. Cada um tem prós e contras, e o que mais importa é que você realmente use o que escolher.
O caderno
A abordagem tradicional: um caderno de papel, talvez com canhotos de ingresso e programas dos jogos guardados dentro. Tem um certo romantismo em folhear páginas da sua própria letra e ver um ingresso desbotado de dez anos atrás. A desvantagem é óbvia. Não dá para pesquisar. Não tem backup. Se você perder o caderno, perde tudo. E manter as anotações em dia numa terça-feira fria, do lado de fora do estádio, é mais difícil do que parece.
A planilha
Um arquivo do Google Sheets ou do Excel com colunas para data, mandante, visitante, competição, estádio e placar. Foi o que a maioria dos groundhoppers mais dedicados usou durante anos. Dá para pesquisar, ordenar e guardar na nuvem. Também dá para usar fórmulas: gols vistos, aproveitamento de vitórias, estádio mais visitado. O ponto fraco: planilhas são feias, não mostram um mapa e manter a disciplina de preencher os dados fica cansativo depois das primeiras cem linhas.
O app
Os apps feitos para registrar jogos são onde a maioria dos torcedores está parando hoje. A vantagem é a rapidez: em vez de digitar "Chelsea x Tottenham, Premier League, Stamford Bridge, 2 a 1", você busca a partida e toca uma vez. Como os dados já nascem estruturados, estatísticas, mapas e linhas do tempo vêm de brinde. O ponto fraco é ficar preso a uma ferramenta: você confia que o app vai continuar existindo. Escolha um que permita exportar ou, pelo menos, tire um print dos seus dados uma vez por ano.
O que registrar de fato em cada jogo
O básico é óbvio: data, times, placar, estádio e competição. Mas as anotações que parecem mais ricas anos depois quase sempre incluem alguns extras:
Com quem você foi. Nomes importam. Daqui a cinco anos você vai ler "fui com o Tom e a Sarah" e lembrar do dia inteiro.
Onde você sentou. "Arquibancada inferior, atrás do gol" ou "Fileira Q, Bloco 112". Isso coloca você fisicamente dentro da lembrança.
A competição. Foi jogo de campeonato, de copa, amistoso, noite europeia? Isso muda a forma como você lembra do clima no estádio.
Uma frase sobre o dia. Não precisa ser uma crônica do jogo. Algo como: "Frio de rachar, gol da vitória no último minuto, fiquei sem voz." Basta para trazer tudo de volta.
Uma foto. A vista do seu assento na hora do apito inicial é a foto mais útil que um torcedor pode tirar. Faça isso sempre.
Você não precisa de tudo isso em cada jogo. Mas aqueles em que você tiver essas informações serão as entradas que você realmente vai reler.
As estatísticas que aparecem
Quando você chega a 30 ou 40 jogos registrados, começam a surgir padrões que você nunca teria notado de outro jeito.
Gols vistos. Somando todos os jogos a que você foi, quantos gols você viu entrar ao vivo? É um número surpreendentemente gostoso de saber. Alguns torcedores descobrem que presenciaram mais de 300 gols sem nunca ter pensado nisso.
Aproveitamento. Com que frequência seu time vence quando você está no estádio? Cada torcedor tem uma teoria sobre ser pé-quente ou pé-frio. Agora dá para conferir. Quem acompanha o Chelsea ou o Tottenham vai encontrar números bem diferentes.
Número de estádios. O número do groundhopping (em inglês): quantos estádios diferentes você já visitou. A maioria dos torcedores que acompanha um clube há uma década se surpreende ao descobrir que já passou dos 20 ou 30 sem nunca se considerar groundhopper.
Número de países. Você já viu futebol na Inglaterra, na Alemanha e na Espanha? São três bandeiras no seu mapa. Alguns torcedores definem a meta de dez países; outros deixam a lista crescer naturalmente com as férias e as viagens para ver o time na Europa (em inglês).
Sequências e intervalos. Sua maior série de jogos seguidos em casa. Os quatro anos em que você morou fora. A temporada em que você foi a 35 jogos porque não tinha mais nada para fazer. Os dados contam a história da sua vida de torcedor de um jeito que só a memória não consegue.
Como começar pelo passado
Começar a partir de hoje é fácil. A tarefa mais difícil, e mais recompensadora, é voltar no tempo. Veja como reconstruir jogos a que você foi há anos:
O rolo da câmera
As fotos têm data e, muitas vezes, coordenadas de GPS. Role o celular para trás, ano a ano. Cada foto de estádio é uma presença confirmada. Só isso já recupera de 60 a 70% do seu histórico.
Canhotos e e-mails
Pesquise no e-mail por "ingresso", "e-ticket", "confirmação de reserva" ou pelos nomes dos clubes e das plataformas de venda. Se você é sócio-torcedor do West Ham, sua conta de ingressos pode guardar anos de histórico de compras. Canhotos de papel esquecidos numa gaveta valem ouro.
Redes sociais
Posts antigos no X, no Instagram, check-ins no Facebook. Procure nas suas próprias contas pelos nomes dos estádios ou por hashtags de dia de jogo. Muitas vezes é constrangedoramente fácil encontrar publicações que você tinha esquecido.
Amigos e família
Pergunte a quem costuma ir aos jogos com você. "Quando foi mesmo aquele jogo no Tottenham Hotspur Stadium?" Alguém vai lembrar. Grupos de mensagens ajudam muito: pesquise o nome dos times e você vai achar conversas do próprio dia.
Arquivos de calendários de jogos
Quando você já sabe que esteve em determinado estádio em determinado mês, cruze a informação com as tabelas de jogos. Sites que guardam resultados históricos permitem descobrir a data e o placar exatos quando a memória só entrega "algum dia no outono de 2019".
Reconstruir o histórico é divertido de verdade. Cada jogo recuperado dá a sensação de achar uma foto perdida. A maioria das pessoas dedica uma ou duas noites a isso e termina impressionada com o quanto já viveu.
O efeito do mapa
Eis o que muda o hobby para a maioria das pessoas: ver seus estádios num mapa.
Uma lista de estádios é satisfatória. Uma planilha com 40 linhas parece progresso. Mas um mapa, em que cada estádio visitado é um pino e cada país onde você viu futebol fica colorido, faz algo diferente com a sua cabeça. Ele transforma um número abstrato em geografia. Dá para ver o aglomerado em volta da sua cidade, o ponto isolado na Alemanha daquela despedida de solteiro, a trilha de estádios ao longo da estrada depois de anos de viagens para ver o time fora.
O mapa também muda o que você faz a seguir. Você percebe as lacunas. "Nunca fui a um jogo na Escócia." "Não tem nada ao sul de Londres." "Já fui a seis estádios na Espanha, mas nunca em Portugal." Se essa vontade de completar uma coleção soa familiar, o 92 Club é a versão original desse instinto. De repente, a próxima viagem ganha forma: não é só um jogo para ir, é um espaço em branco no mapa para preencher.
Esse é o verdadeiro motivo pelo qual registrar importa. Não se trata dos dados. Trata-se de transformar anos de dias de jogo espalhados numa história visível e conectada. A sua história de torcedor, contada em estádios.
Comece agora, não depois
O maior arrependimento de qualquer torcedor que registra seus jogos é o mesmo: "Queria ter começado antes." Cada temporada que passa sem registro é uma temporada que fica mais nebulosa. Os jogos não voltam.
Tanto faz se você usa caderno, planilha ou app. O que importa é começar. Registre o próximo jogo a que for. Depois dedique uma noite ao passado. Você vai se surpreender com a rapidez com que a lista cresce, e com o quanto tudo fica mais rico quando dá para ver.
Para entender melhor o que o registro revela sobre a sua vida de torcedor ao longo do tempo, leia o que acontece quando você começa a registrar cada jogo (em inglês). Se você quer um app que cuide da busca de jogos, das estatísticas e do mapa, o Footbeen é gratuito no iOS e no Android. Pesquise no catálogo disponível, adicione os jogos a que você foi e mantenha o histórico num só lugar. Mas a ferramenta é secundária. O que conta é o hábito. Comece a registrar. Seu eu do futuro vai agradecer.
Continue lendo
- Jogos de futebol neste fim de semana: como encontrar partidas perto de você e aproveitar cada uma
- Groundhopping no futebol feminino: estádios da WSL, ingressos e por que o público está crescendo (em inglês)
- Seu primeiro jogo fora de casa: guia para quem vai sozinho e está nervoso
- Como planejar um jogo fora de casa: o guia completo (em inglês)
Guarde a sua jornada no futebol no Footbeen
Registre os jogos a que você assiste, salve cada estádio e construa um histórico que cresce a cada viagem.
Digitalize com o telemóvel